Ushuaia – Diário de viagem – dia 2 – De Paso de los Libres a Buenos Aires

Segundo dia na estrada e a ideia de que a Argentina é uma linha reta, só cresce. Se você leu o artigo de ontem, sabe do que eu estou falando. Se não leu, corre ler, clica aqui!

Como chegamos ontem à noite na Argentina, não conseguimos comprar o chip para continuar navegando e gerando entretenimento pra vocês. Ontem abusamos do wifi do hotel e hoje cedo saímos a procura. Depois de um desjejum delicioso com medialunas e uma variedade incrível de bolos e pães – a carbolândia venceu hoje – fomos até o centro de Paso de los Libres atrás do chip, mas como era domingo, estava tudo fechado.

Café da manhã hotel Elementos

Medialunas

Seguimos pegando a Ruta 14 e 150 km depois, paramos no primeiro pedágio: R$ 7,00. Tínhamos lido bastante nas nossas pesquisas que esse trecho entre Paso e Buenos não tinha pedágio, que era bem tranquilo. Doce ilusão. Um ponto que vale comentar é que a estrada estava ótima, assim que pagamos o pedágio ela piorou. Parece piada, mas não é. O bom que depois de alguns km ela voltou a ficar boa.

Ruta 14 Paso de los Libres

Ao longo da estrada, várias placas com vários convites tentadores: sanduíche de milanesa, alfajor, parrilla, chucrute, queijos, melancia gelada, doce de leite e outras tantas delícias regionais e outras nem tanto. Opa! Vamos seguir as placas, né? Fomos. Chegamos na tal Regionales La Alemana. O lugar é uma graça, todo decorado e convidativo, mas.. FECHADO. Domingo é o dia de descanso deles. Vai ficar pra próxima.

Regionales La Alemana

Um pouco mais pra frente, começaram novas placas, mas agora da Maria Regionales. Já tinha passado da hora do almoço e estávamos com meio tanque, então para garantir, caso a amiga Maria estivesse com a casa fechada também, paramos em um posto para desabastecer a bexiga e abastecer o carro. Pagamos 4,15 no litro da gasolina e foi o único abastecimento de hoje. Bora lá para conhecer a Maria. Fomos seguindo as placas de guloseimas e chegamos. Sabe aquela história de “não crie expectativas, crie cactos”? Pois é. O lugar era bem escuro, quente – estava fazendo 34 graus hoje – e era bem menor do que o que eles acham que é.

Vimos meia dúzia de potes de doce de leite – compramos um por R$ 6 reais – compotas de pêssegos enormes, alfajores, geleias das mais variadas frutas e o que chamam de escabeche. Essa iguaria é um tipo de conserva de tudo que é tipo de carne, de tudo que é tipo de bicho. Coelho, hiena, avestruz, lhama, lebre, veado e o que mais chocou os três curitibanos: capivara. Em Curitiba a capivara é querida por todos e virou nossa mascote, por isso o drama. Saímos – meio – felizes com nosso dulce de leche.

dulce de leche

escabeche

escabeche de capivara

Depois de chorar pelas capivaras, seguimos sentido Buenos Aires. Na entrada para a cidade de San Salvador paramos em outro pedágio, mais R$ 7,00. Outra dica para quem vai dirigir por aqui: além da velocidade máxima permitida nas vias, você vai encontrar nas plaquinhas azuis, a velocidade mínima permitida. Nada de ficar atrapalhando o trânsito – que flui perfeitamente por aqui. Normalmente a velocidade máxima é 120 km/h. Já a mínima é de 60 km/h. Mas isso dá uma variada legal durante toda a estrada, viu?

Paramos em mais três pedágios ao longo do caminho. O pedágio em Gualeyguachu foi R$ 7,00, o pedágio em Zárete foi R$ 9,00 e o último, já chegando em Buenos Aires foi R$ 5,50. Nesse, dependendo do horário de pico, o valor muda. Vai de R$ 3,50 a R$ 5,50.

Passamos também por duas pontes de cair o queixo. Uma em Zárate e a outa em Campanha. As duas ficam um pouquinho antes de Buenos Aires.

Ponte Zárate e Campana

Chegamos em Buenos Aires lá pelas 17h e fomos direto para o hotel fazer o checkin. Ficamos no Hotel Ailen, bem no centro. Confesso que mesmo sabendo que escolhemos um hotel simples, ficamos decepcionados. O hotel é muito, mas muito antigo. Só tem quarto para fumantes, então imagine o cheiro. O pagamento deveria ser feito no checkin e aqui meu caro, vem o pulo do gato! Estrangeiros que pagam com cartão de crédito internacional ou em dólar, não precisam pagar o IVA – que é o imposto deles. Fizemos o pagamento com o cartão e o valor do IVA não foi descontado, mas só percebemos quando estávamos no quarto. Assim que vimos, descemos para conversar com o pessoal da recepção. Tudo que ouvimos foi: “Não podemos fazer nada.” Insistimos, até usamos o blog como ferramenta para divulgar a situação e “ficaram de ver até amanhã de manhã”. Amanhã coloco uma atualização aqui pra vocês.

| Atualização: Ainda não resolveram a questão do IVA, mas tivemos mais surpresas! Arrumando a cama para descansar, achamos uma infestação de bedbugs, que são aqueles percevejos bem comuns em hotéis. Confesso que já li muito sobre isso, mas nunca havia acontecido com a gente. Bem, depois de revirar tudo, às 2 da madruga, fomos até a recepção do hotel reclamar e nos deram um novo quarto. Esse já não tinha carpet e estava um pouquinho mais limpo, agora sem bedbugs. Como comentei, o hotel é bem antigo e não é um primor em limpeza. Ainda temos o café da manhã pela frente. Torçam por nós.|

bedbugs

bedbugs

Saímos a noitinha atrás do chip. Que saga! Chegamos em Buenos sem internet, achei absurdo o valor cobrado pela Vivo – minha operadora no Brasil – para uma diária de internet: R$ 39,90. Achaa? Mais de R$ 600,00 para a viagem toda. Até vimos outras opções de chips internacionais, mas era outra facada, se não me engano ficaria em torno de R$ 280,00 para os 15 dias. Achar um endereço sem internet hoje em dia é como achar uma agulha no palheiro, né? Queríamos uma loja da Claro, pois já tínhamos pesquisado as operadoras disponíveis por aqui e ela foi a mais vantajosa. Pois bem, como baixamos um mapa off-line, que foi a salvação da viagem, o único shopping que ele mostrou foi no centro. Estacionamos, entramos e não tinha nenhuma loja de telefonia. Quando estávamos saindo, vimos que na rua tinha uma loja da Claro e mais duas, de outras operadoras. Correndinho chegamos lá e demos de cara na porta. Fechadas. Lemos em alguns blogs que os argentinos vendem chip nos kioscos. E agora? O que é isso? Bora perguntar, né? Aprendemos que é uma espécie de banca de jornal de antigamente, sabe? Que tinha de tudo. O chip conseguimos comprar, mas agora precisávamos ativar e colocar créditos, que isso não fazem nos kioscos. O tiozinho que nos vendeu o chip indicou um outro que colocava créditos. Fomos lá, três quadras pra frente, o outro tiozinho conta pra gente que não coloca crédito, que é só na farmácia, já que é domingo. Fomos até a farmácia, umas 2 quadras pra frente. O segurança solta um “Buenas!” e a gente logo pergunta se tem crédito da Claro. Com a confirmação dele, pegamos o celular, colocamos o chip e seguimos as instruções para ativar o bendito. Adivinhem? Precisa de internet para finalizar a ativação. Mas genteee, eu queria o chip justamente para ter internet! Ok, ok. Mc Donalds existe pra isso, né? Wifi grátis e café. Era disso mesmo que a gente precisava. Fomos lá, preenchemos tudo, enviamos a tal foto do RG, a foto selfie com o RG e esperamos a confirmação. Esperamos. Esperamos. Nada. Não veio a confirmação e não funcionou. Procuramos outras lojas da Claro pela cidade, para alguma alma caridosa ajudar a gente a ativar essa linha. “Palermo! Em Palermo tem um shopping e fica até as 22h”, grita o Andre eufórico e já levantando da mesa. Vamos lá. Chegamos, demos umas 3 voltas no quarteirão para conseguir uma vaga – véspera de Natal e a cidade atopetada. Subimos. Achamos a loja. Achamos um amigo. Achamos uma alma caridosa. O atendente da Claro foi super simpático, ativou o chip em segundos e ainda arranhou um inglês pra gente se entender na escolha dos planos de internet. Chip ativado, hora de voltar pro hotel e escrever essa belezoca de artigo pra te conquistar e fazer você acompanhar os próximos 14 dias.
Boa noite e até amanhã!

Obs: Valores em real, com o câmbio do dia 23/12/2018.
Mais ou menos 10/1.

Leia o Diário de Viagem – DIA 1 – De Curitiba a Paso de los Libres, na Argentina

Leia o Diário de Viagem – DIA 3 – De Buenos Aires a Sierra de la Ventana

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