Ushuaia – Diário de viagem – dia 6 – De Rio Gallegos ao Ushuaia

É hoje! Hoje que chegaremos ao tão esperado fim do mundo! Ushuaia, estamos chegando para lhe usar. Saímos cedinho de Rio Gallegos para conseguir aproveitar um pouco do dia em Ushuaia. Tomamos nosso café com medialunas no hotel, depois de uma noite muito bem dormida.

Antes de pegar a estrada, abastecemos o carro no último posto dentro da cidade, com a gasolina a R$ 3,24. Ganhamos até um café e uma medialuna por ter abastecido ali. Saindo da cidade fomos parados pela polícia – que na Argentina está nas ruas mesmo com chuva – que pediu nossos documentos, documento do carro e fez aquele charme, olhando horas pra eles, com cara de “poutz, não tenho com o que implicar”. Estávamos com muito medo das tais propinas que tanto lemos pelos blogs de viagem, chegamos até a separar o dinheiro em vários lugares, para não morrer com uma propina gordinha de uma só vez. Mas tivemos a sorte de não ter passado por nada disso. Todas as vezes que fomos parados pela polícia apresentamos os documentos e nos deixaram seguir.

Rio Gallegos

lhamas na estrada de ushuaia

Para chegar até o Ushuaia por terra, você obrigatoriamente tem que passar pelo Chile. E para passar pelo Chile, você obrigatoriamente tem que passar pela aduana. Com todos os documentos separados em uma pastinha, lá fomos nós – você pode conferir todos os docs necessários clicando aqui. Assim que entramos, na primeira cabine nos pediram os documentos de todos os passageiros, documento do carro e a certidão de nascimento do João, já que ele é menor. Aí fomos para um outro saguão, onde preenchemos uma declaração de produtos de origem animal, plantas, grãos e sementes. Se por acaso você tiver qualquer um desses itens, declare. Se não declarar e na inspeção do veículo encontrarem, você pode ganhar uma bela multa chilena de presente. Nós tínhamos sanduíches com queijo e presunto no carro, declaramos e não tivemos que jogar fora. Deixaram a gente passar com eles tranquilamente, talvez por estarem lacrados.

Fronteira Argentina e Chile

Aduana Chile

Na segunda cabine pediram os docs do carro e preencheram uma ficha. Com ela, fomos para a terceira cabine, onde pediram todos os docs novamente e mais a ficha da cabine anterior, onde preencheram mais alguns dados e nos entregaram novamente, pedindo para irmos para a cabine 4. Nessa, pediram a ficha preenchida na cabine 2 e 3, os docs do carro e preencheram algumas infos no sistema. Nos entregaram a tal ficha, que deveria ser entregue na hora da inspeção do carro e mais uma ficha para ser entregue quando sairmos do Chile. Todos os atendentes são sisudos, sem muitos sorrisos e não são muito de explicar mais de uma vez, por mais que você seja estrangeiro e não fale a língua deles. Conseguimos, depois de muito custo, trocar meia dúzia de palavras com o rapaz da cabine 4, que conhecia mais do Brasil do que nós mesmos.

Declaração aduana Chile

aduana Chile

Depois de todas essas etapas – ufa! – fomos para o carro e passamos pela inspeção. Eles abrem TODAS as malas, revistam porta malas, portas, bolsas, tudo mesmo. Como estávamos com tudo certo, fomos liberados. Chile, chegamos! Assim que passamos a aduana percebemos a diferença entre países. O Chile é muito mais limpo e organizado, com o asfalto muito melhor. Ficamos no Chile por aproximadamente 210 km. Aqui começamos a Rota do Fim do Mundo.

Para atravessar o Canal de Magalhães tivemos que pegar uma balsa. Ela custou R$ 100,00 e a travessia levou uns 20 minutinhos. Não pediram para que a gente saísse do carro, mas antes de ir, lemos em alguns blogs que era obrigatório. A balsa tem três pisos. No primeiro e mais baixo, ficam os carros, claro. No segundo podemos apreciar a vista sentadinhos na salinha, em um banco com aquecimento. 

fila espera balsa rio gallegos ushuaia

Tem até uma lanchonete, com cachorro quente e hamburguesas, cada um por R$ 15,00. No terceiro e mais alto, você tem a vista mais bonita, mas tem que ficar no vento gelado da Patagônia. O pagamento pela travessia deve ser feito no caixa que fica no primeiro piso, do lado direito, em uma portinha de metal bem discreta. Essa portinha é a mesma que dá acesso ao segundo piso. Você pode pagar em pesos chilenos ou argentinos, mas apenas em dinheiro, não aceitam cartão.

balsa canal de magalhaes

balsa canal de magalhaes

Descemos da balsa e seguimos viagem. Um pequeno trecho de estrada de rípio e chegamos na aduana chilena novamente, agora para registrar a saída do país. Aqui tivemos que entregar a ficha que foi preenchida lá na primeira aduana e apresentar novamente toda a documentação.

aduana chilena

aduana chilena

Passando por Cerro Sombrero, chegamos agora na aduana Argentina, já que aqui acabava nossa primeira passagem pelo Chile. Separamos novamente os documentos e lá fomos nós. Aqui o processo já foi bem mais simples e mais rápido. Eram apenas duas cabines, na primeira entregamos todos os documentos dos passageiros, do carro, de entrada no chile, perguntaram o endereço do hotel que ficaríamos no Ushuaia e recebemos a tal ficha para levar na cabine seguinte, onde apresentamos apenas os documentos do carro e nos entregaram uma ficha que deveria ser entregue lá fora para o policial liberar nossa saída e mais três papéis – um para cada um de nós – que serão entregues na saída da Argentina. Aqui não teve inspeção do veículo, foi tudo mais rápido. Saindo da aduana, pegamos novamente uma estrada de rípio – espécie de estrada de chão com pedrinhas – por mais ou menos uns 13 km.

estrada de ripio argentina

O restante da estrada foi super tranquilo, até demos uma aceleradinha para chegar mais rápido quando começamos a ver as montanhas com os topos cobertos de neve. A alegria dos três era igual alegria de criança, sabe? Ficamos bobos só de ver os topos branquinhos. Uma paisagem de tirar o fôlego. Paramos em um mirante quase chegando no Ushuaia, para algumas fotos.

estrada ushuaia

mirante ushuaia

E então, depois de uma curva qualquer, alí estava ele, o portal de entrada no fim do mundo. Ushuaia, chegamos! Andamos muito, mas muito mesmo para chegar até aqui. Foram mais de 5.000 km de estrada, passando pelas mais diversas paisagens, com temperaturas completamente diferentes em cada cidade, conhecendo muita gente legal, arranhando nosso portunhol. Era um sonho, mas um sonho completamente possível. Conseguimos. \o/

portal ushuaia

peugeot no portal ushuaia

pico nevado no ushuaia

Cansados, fomos direto pro hotel fazer nosso check-in. Ficaríamos no Via Rondine, mas quando chegamos, descobrimos que fizeram a reserva apenas para um casal e que o hotel já estava lotado. Imagine a nossa cara quando escutamos isso. Aqui, logo aqui, no nosso tão esperado Ushuaia? Antes mesmo da gente pensar em reclamar, a recepcionista já estava ligando para outro hotel para nos acomodar. Durante a conversa com o outro hotel, ela tampa o telefone e nos pergunta: “Algum problema de ficarem em quartos separados?”. Imagiiiina, moça! Reserva logo esses quartos. Nosso filho já tem 16 anos e pode ficar tranquilamente sozinho. Por sinal, ele vai amar. E nós também. Lá fomos nós para o outro hotel, o Hosteria Mi Vida, rezando para ser no mínimo, parecido com o que tínhamos escolhido. Quando entramos, ficamos encantados e agradecemos mentalmente a criatura que reservou apenas para o casal. O hotel era muito bonito e ainda tinha café da manhã, que no anterior não teríamos. Tiramos as bagagens do carro e partimos conhecer o centrinho de Ushuaia.

hosteria mi vida ushuaia

hosteria mi vida ushuaia

hosteria mi vida ushuaia

O vento por aqui é cortante, sem piedade. Eu estava com uma jaqueta, daquelas corta-vento e mesmo assim estava batendo os queixos. Voltamos para o hotel colocar mais roupa e saímos para jantar. Chegamos no Dona Lupita desejando umas empanadas quentinhas e uma cerveja gelada.

empanadas doña lupita ushuaia

cerveja beagle ushuaia

Desejo realizado, as empanadas estavam deliciosas e a cerveja Beagle Rubia que escolhemos estava geladinha e fechou a noite com chave de ouro. Super indicamos a Dona Lupita, viu? Agora já podemos voltar para o hotel sonhar com o trekking de amanhã para conhecer a Laguna Esmeralda.

Você vem, né? Até amanhã, boa noite!

 

Obs: Valores em real, com o câmbio do dia 28/12/2018.
Mais ou menos 10/1.

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Leia o Diário de Viagem – DIA 7 – De Ushuaia a Rio Gallegos

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