Ushuaia – Diário de viagem – dia 10 – De Los Antíguos a Bariloche

Último dia do ano e estamos aqui, tomando um café da manhã em uma cidadezinha pacata da Argentina, olhando para o lago azul e calmo e agradecendo por todas as conquistas desse ano. Fechamos com chave de ouro essa “temporada”, conhecendo o fim do mundo. Estamos prontos para mais e mais viagens, começando agora. Hora de carregar o carro e seguir, rumo a Bariloche.

desayuno

Los Antíguos é um lugarzinho no mapa que vale a pena conhecer. Acabamos ficando por aqui pois em Perito Moreno, que estava nos planos iniciais para a hospedagem, já estava tudo lotado. Que grata surpresa! A estrada até aqui é linda, as pessoas são queridas e prestativas e a cidade é acolhedora. E esse lago?? Ahh o Lago Buenos Aires é daqueles lugares que faz a gente querer sentar e saborear um belo mate em um dos banquinhos ao longo da margem. Não, não conseguimos provar o tal do mate, ficou pra próxima.

lago Buenos Aires

Saindo do hotel, abastecemos o carro com a gasolina a R$ 3,00 o litro. Abastecer por aqui tem sido motivo de alegria. Hoje temos quase 900km de estrada até Bariloche.

Fomos contornando o Lago Buenos Aires e admirando toda aquela imensidão de água cercada por montanhas, quando resolvemos dar uma olhadinha no GPS – para conferir se a estrada era uma reta só ou se hoje teríamos algumas curvinhas pelo caminho – e vimos que ele tinha traçado um trajeto onde iríamos andar quase 40 minutos, para retornar todo o trajeto e então trocar de estrada. Ainda bem que vimos a tempo. Estamos usando um mapa off-line no aplicativo Here. De vez em quando ele se perder e faz dessas. Quebra um super galho quando não temos internet – na maioria das estradas – mas tem que ficar bem atento.

Lago Buenos Aires

Lago Buenos Aires

Não é à toa que repetimos várias e várias vezes que sempre abastecemos quando encontramos um posto. Hoje percorremos mais de 450km sem um posto sequer. Foram os 450km mais longos que já fizemos. Por mais que a gente ainda tivesse gasolina no tanque, o desespero começou a bater e a gente foi a tirando o pé, andando mais devagar para economizar gasolina. Quando encontramos um posto em Gobernador Costa, não quisemos nem olhar o preço da gasolina, “só abastece, seu moço.” Graças ao subsídio do governo argentino, a gasolina no sul da Argentina é mais barata e acabamos pagando R$ 3,10 o litro, mesmo depois de tantos km sem nenhum posto. Já pensou se fosse no Brasil?

Gobernador Costa

Aproveitamos para esticar as pernas e comer, ainda não tínhamos almoçado. Compramos algumas empanadas por R$ 2,70 cada. Não foram as melhores da viagem, é verdade, mas mataram a fome. Criança que somos, compramos alguns picolés também. Estava fazendo um calorão e um picolé de Fanta não se vê sempre por aí, não é mesmo?

empanadas argentinas

picolé na argentina

picolé de fanta

picolé de fanta

Como aqui as estradas na sua maioria são planas e a vegetação é bem rasteira, conseguimos ver longe no horizonte. Conseguimos ver até as tempestades que estavam chegando.

horizonte estrada argentina

horizonte estrada argentina

Retas, retas e retas sem fim. A vegetação vai mudando de cor, as nuvens do céu somem e aparecem, hora cruzamos com coelhos hora com cervos, mas a estrada continua reta. Fazemos de tudo durante a viagem, para não pegar no sono no volante. As curvas, quando aparecem, são aproveitadas ao máximo, chega até a ser emocionante.

estrada para bariloche

estrada para Bariloche

Conforme vamos nos aproximando dos Andes, a temperatura vai caindo e as nuvens começam a aumentar. Pegamos alguns trechos em que chovia por 300 metros e o sol voltava com força total, mais 2km de chuva e lá vinha o sol. Foi assim por um bom tempo. Esse trajeto também fez a gente sair um pouco do marasmo, de tanto buraco que tinha na estrada. Se queríamos emoção, essa era a hora.

buracos na estrada para bariloche

A cordilheira foi se aproximando e as nossas reações, embasbacados dentro do carro, eram as mais diversas. Quando a gente ouve falar que a Cordilheira dos Andes é imensa, magnífica e deslumbrante, não chegamos nem aos pés do que realmente é. Em alguns trechos passamos bem no meio daquelas montanhas imensas e temos que erguer o pescoço para conseguir ver o topinho. Parece cenário de filme.

cordilheira dos andes

Cordilheira dos Andes

Véspera de ano novo e não tínhamos garantido nada para jantar. A preocupação era que não tivesse mais nenhum mercado aberto em Bariloche, então paramos em um mercadinho na estrada, para comprar pelo menos uns petiscos para a virada. Pense em um mercadinho de bairro, agora pinte ele de azul. Pintou? Agora deixe ele bem sujo, com restos de comida e papelão picado pelo chão. Coloque também uns 15 cachorros lá dentro, das mais variadas raças e deixe eles passeando livremente por todos os corredores. Chame também pelo menos uns 40 argentinos e faça com que eles garantam a ceia da virada. Agora, pra fechar com chave de ouro, coloque dois brasileiros de olhos esbugalhados com a situação e deixe bem à vista o tal do Fernando. Como se não bastasse toda essa visão inesquecível que já te proporcionei, ainda tem o Fernando. Fernando estava lá, parado na prateleira do mercadinho. Fernando era baixinho e gordinho. Fernando era brega, mas ao mesmo tempo sedutor. Fernando foi a nossa maior decepção, mas também o nosso maior motivo de risadas ao longo da viagem. Fernando era o nome do tal “refrigerante” de cola, que a gente muito inocentemente achou que era como a nossa Cini aqui do Paraná, um refri genérico, baratinho, mas que todo mundo gosta e tem orgulho de servir para as visitas. Quanta ingenuidade! O Fernet é uma bebida alcoólica típica argentina, obtida com a maceração de diversas ervas e raízes medicinais, que ainda por cima fermentam. Por ser muito amarga, eles tem o costume de misturar com a coca. Infelizmente só descobrimos isso depois que demos o primeiro gole. Ler o rótulo pra que, né? Trouxemos ele pra Curitiba, obviamente, e vamos servir para todas as visitas.

Fernet argentino

Chegamos em Bariloche perto das 20h. Entramos em contato com o anfitrião do apartamento que alugamos pelo Airbnb e nos encontramos direto no endereço. Ficamos em um apartamento bem gostosinho, no alto da montanha, com um janelão imenso na frente, onde a gente já tinha combinado que seria a nossa virada de ano.

airbnb em bariloche

airbnb em bariloche

airbnb em bariloche

airbnb em bariloche

Descarregamos o carro – colocamos o Fernando para gelar – e fomos atrás de algo para jantar. Como estávamos prevendo, tudo estava fechando ou já estava fechado. Fomos andando pelo centrinho e nada mais estava aberto. Quando a gente pensava que ia ter que comer o que sobrou no cooler e tomar o Fernando – que a esta altura nem estava gelado ainda – a vontade de procurar algo aberto só aumentava. Circulamos por todas as ruas possíveis em Bariloche, até que achamos uma Hamburgueria aberta. Entramos, demos uma espiadinha e vimos que já tinha uma filinha. Mas se não for aqui, onde vai ser, né? Fomos pra fila. Em dois minutos estávamos confortáveis em uma mesa. Que atendimento incrível! A decoração já estava pronta para receber o novo ano e nós entramos no clima. Os sanduíches estavam incríveis e a gente estava muito, mas muito feliz por ter achado aquele cantinho. O lugar se chama La Casa de La Hamburguesa. Super indicamos pelo ótimo atendimento e pelo preço, pagamos cerca de R$ 24,00 cada sanduba com batatas e R$5,00 o refri com refil free. Super honesto para uma noite de ano novo.

ano novo em bariloche

la hamburguesa bariloche

De volta ao apartamento, de barriguinha cheia, estava quase na hora da virada. Celular na mão pra garantir o desejo de um ano incrível para toda a família, afinal, no Brasil o ano novo chegaria uma hora antes. Todo mundo pra janelinha, 5, 4, 3, 2, 1, Feliiiiiiz Anoooo Novooo! E ficamos ali, esperando os fogos, lindos e coloridos, pra gente admirar do nosso janelão escolhido a dedo. Nada de fogos. Um silêncio total. Nem gritos de comemoração, nem estouro de champagne, nem fogos. Nada. Pra não dizer que foi tão silencioso assim, uns 10 minutos depois, escutamos lá longe, uns barulhinhos. Pra gente, eram fogos. Tinha que ser.

A felicidade era tanta, que os fogos – ou a falta deles – não mudou a nossa alegria em estar ali, em família, entrando com o pé direito nesse novo ano que a gente tem certeza que vai ser incrível! A foto está bem ruinzinha e estávamos cansados, mas dava pra ver que estávamos super felizes. 🙂

família vem ver o meu mundo em bariloche

Feliz Anooo Novo, viajantes!

Obs: Valores em real, com o câmbio do dia 01/01/2019.
Mais ou menos 10/1.

 

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Leia o Diário de Viagem – DIA 11 – De Bariloche a Santiago

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