Transporte na Itália: Carro, transporte público ou a pé?

Apaixonados por carros – ahh a Ferrari! – e com uma rede viária de dar inveja, os italianos são capazes de te surpreender até no quesito transporte.

Quando for planejar a sua viagem, sugiro que fique atento às possibilidades para se locomover de uma cidade a outra. Alugar um carro em algumas cidades pode ser uma cilada, assim como não alugar o carro em outras, pode ser uma cilada ainda maior, Bino!

Quando fomos – em 2014 – pesquisamos bastante e optamos por alugar o carro apenas em algumas cidades, andando de ônibus e metrô em algumas e em outras, somente a pé.

Chegamos em Milão pelo aeroporto de Malpensa. Tínhamos acabado de sair de Paris, onde eu estava super confortável com a comunicação, já que o Andre conversava com os franceses em inglês, enquanto eu só sorria, acenava e no máximo soltava um “bonjour” ou um “merci”. Nosso combinado foi que ele se comunicaria em Paris – ele fala inglês e eu não – e na Itália seria a minha vez – eu falo italiano e ele não. Quando chegamos em Milão e precisamos decidir como chegar no apartamento, se a gente se arriscava de ônibus ou partia pro táxi, me dei conta que precisaria colocar aqueles dois anos de italiano em prática. Gelei. Morria de vergonha de falar na frente dele. Já do lado de fora do aeroporto, vi que tinha uma família comprando tickets de ônibus em uma máquina automática. Olhei pra eles, olhei pro Andre, olhei pra eles e olhei de novo pro Andre e falei categoricamente: Você fica AQUI e eu vou ali perguntar pra eles qual linha devemos pegar para chegar na estação central. Respirei fundo, olhei pra trás pra me assegurar que ele não tinha vindo atrás e fui: “Ciao! Scusami, come arrivo alla stazione centrale?” Falei. Consegui falar uma frase todinha e não gaguejei. Aí abri meu melhor sorriso e troquei meia dúzia de palavras até entender como a tal máquina funcionava. Só conseguíamos comprar os tais biglietti per l’autobus nas maquininhas automáticas – pela cidade você encontra nas bancas de jornais e principalmente nas tabacarias, as tabacchi – dentro do ônibus não vendem, não tem cobrador como aqui. Mas atenção, assim que você embarcar em um ônibus, procure a maquininha para validar o seu bilhete. Você pode se complicar com uma bela multa se o fiscal entrar no ônibus checando os bilhetes e o seu não estiver validado. Vimos um senhor ter que dar explicações por não ter validado o seu. É bem embaraçoso.

Depois de comprar nossos bilhetes, pegamos o ônibus, validamos nossos bilhetes e em 40 minutos estávamos na Estação Central de Milão – Milano Centrale. Ela é a principal estação ferroviária de Milão e a segunda maior da Itália em fluxo de passageiros. Para nós curitibanos, que não temos metrô na cidade, esse fluxo de pessoas e a imensidão da estação, foi impressionante. Da estação para o apartamento tínhamos que pegar outro ônibus. Como já tínhamos entendido o esquema, compramos os novos bilhetes e descemos no ponto indicado no Google.

Durante nossa estadia em Milão, não usamos mais nenhum tipo de transporte público. Fizemos todos os passeios a pé, aproveitando a cidade. Fizemos a reserva do carro para o dia que deixaríamos Milão, indo em direção ao Lago di Como. Reservamos pela Maggiore, que tinha o melhor preço na época e ficava apenas uma quadra do apartamento que estávamos.

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Para dirigir na Europa, você precisa tirar a PID, que nada mais é que a permissão internacional para dirigir. O processo é simples e feito pelo site do Detran. Na época pagamos na faixa de R$ 70,00 mas hoje está R$ 96,00. Emitimos apenas para o Andre.

As estradas da Itália são incríveis. Largas, com várias faixas – chegamos a pegar uma estrada com seis faixas de cada lado – e parecem um tapete de tão lisas. Mas, para que esse conto de fadas seja possível, o pedágio por lá é bem salgado. Salgado, porém justo. Você só paga pelo trecho que percorrer. Assim que você chega em uma autoestrada vai encontrar uma espécie de cabine de pedágio, automática, que emite um recibo registrando em que ponto da estrada você entrou. Sempre que estiver saindo da autoestrada, você vai encontrar novamente as maquininhas, onde deve inserir esse recibo, para que seja calculado o valor do seu pedágio, diferente daqui que fica parando de tantos em tantos km para pagar. Pagamos todos em dinheiro, com cédulas ou moedas. A máquina calcula automaticamente se você precisa de troco ou não. Uma belezoca que facilita demais.

De Milão para Como, por exemplo, percorremos cerca de 50 km e pagamos €3,00. A viagem foi curtinha, levamos cerca de 50 minutos para chegar. Dica esperta: você pode consultar os valores dos pedágios no site www.autoestrade.it.

estrada milão a lago di como

De Como, partimos para Verona, onde ficamos por três dias. Para chegar em Verona, evitamos voltar a Milão, já que mesmo sendo mais rápida, custaria em média €15,00. Pegamos uma rota alternativa passando por Lecco e Bergamo, mais demorada mas o pedágio sai por volta de €7,00. A paisagem fez tudo valer a pena. Existe ainda uma rota alternativa completamente não pedagiada, porém o tempo de viagem aumenta de cerca de 2h para perto de 3h30.

estrada milão a lago di como

Em Verona, assim como qualquer outra cidade da Itália, é importante que você saiba onde pode estacionar o seu carro, ou até mesmo até onde pode ir com ele. Em vários – para não dizer todos – os centros históricos, somente moradores têm acesso de carro, a famosa ZTL – Zona de Tráfego Limitado. Se você ignorar e entrar nessas áreas, pode receber de souvenir alguns meses depois, aqui no Brasil mesmo (ou no seu cartão de crédito): uma multa rechonchuda, que vai te fazer recordar das inúmeras placas com o círculo vermelho. Várias ZTL são vigiadas por câmera que registram os carros em movimento, detectando a placa do veículo. Se você encontrar a placa com “varco attivo”, saiba que se passar, será multa na certa. Se na placa estiver “varco non ativo”, você pode passar tranquilamente que a entrada está liberada.

Estacionar na Itália também requer atenção. Nunca estacione nas vagas demarcadas com linhas brancas, são vagas reservadas para moradores. Se você não for um, multa. Pelas ruas, vai ser muito difícil encontrar estacionamentos gratuitos. Ande sempre com moedinhas! Por aqui temos os famosos flanelinhas e por lá, o famoso parcheggio. São máquinas azuis, identificadas com um P, que a medida que você vai depositando as moedinhas, ela vai calculando o tempo que você pode permanecer estacionado ali. Use sempre as vagas demarcadas em azul. O preço varia de local para local. Lugares mais concorridos tem preços mais altos.

De Verona, fomos a Veneza apenas para passar o dia. Por motivos óbvios, não conseguimos passear por lá de carro. Saímos cedinho de Verona e estacionamos o carro em Mestre – cerca de €20 a diária – onde pegamos um trem, atravessamos a Ponte della Libertà e chegamos na Estação Santa Lucia, dentro de Veneza. Você certamente já ouviu dizer que se perder em Veneza é a parte mais legal do passeio. Verdade! As ruas são lindas e convidativas para uma caminhada lenta, cheia de descobertas. Pelos canais, você pode passear de vaporetto, que são aquelas embarcações típicas de Veneza. O bilhete simples custa €8,00 e vale por 75 minutos. Pode também passear pelos canais de gôndola, que tem lá o seu charme – nós não nos rendemos, confesso – com o gondoleiro remando e cantando canções italianas, por míseros €100,00 durante meia hora ou €150,00 por uma hora.

Você sabia que Veneza também tem Carnaval? Vem conhecer um pouquinho mais dessa festa incrível com a Deusa, clicando aqui.

trem de mestre a veneza

De volta a Verona, nossa anfitriã sugeriu que fizéssemos um bate-volta até o Lago di Garda. Como estávamos de carro, foi super tranquilo. Fomos a Sirmione, dona de um lindo centro histórico com castelo medieval e ruínas de uma vila romana. Fica há 45 km de Verona e levamos mais ou menos uma hora até lá.

No dia seguinte partimos rumo a Toscana. Aqui você vai agradecer por estar de carro. As estradas são lindíssimas, com paisagens de filme. Antes de chegar à Lucca, nossa primeira cidade Toscana, onde ficaríamos por 3 dias, paramos em Maranello, a cidade da Ferrari. Visitamos o museu Ferrari e pegamos a estrada novamente sentido CinqueTerre. A estrada até Monterosso al Mare – a única das 5 cidades que conseguimos visitar pelo tempo curtíssimo – é uma das estradas mais lindas e mais assustadoras que já fomos. À beira de um penhasco com alguns trechos onde só passava um carro, a espinha gelava quando outro carro vinha na contramão em alta velocidade. Mas o que é a vida sem esses momentos, né?

monterosso al mare

Por toda a Toscana não tivemos dificuldade para estacionar o carro – sempre respeitando as ZTL e colocando as moedinhas no parcheggio. Várias cidades da Toscana são muradas, o que já indica que você deve deixar seu carro fora dos muros e seguir a pé até o centro da cidade, o que vale muito a pena para conhecer os lugares.

estrada na toscana

Nosso último destino era Roma. Roma de carro? Fuja! O trânsito por lá é um caos e os estacionamentos são absurdamente caros. O transporte público por aqui é o protagonista: fácil, rápido e barato. Entregamos o carro assim que chegamos em Roma, nosso apartamento ficava bem ao lado da Estação Termini, onde conseguíamos nos locomover com facilidade. Para a maioria dos passeios fomos a pé: Coliseu, Fórum Romano, Panteão, etc. Fomos de metrô até o Vaticano e foi muito tranquilo. Sentimos falta do carro apenas quando estávamos indo embora de Roma, voltando para o Brasil. Passamos um perrenguinho carregando as malas – pesadas de vinho – até encontrar um taxista as 6 da manhã, o que levou uns 20 minutos – lembrando que na época não existia Uber.

E você, tem alguma outra dica sobre o transporte na Itália? Deixe seu comentário aqui!

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