Rota da Baleia Franca | Melhor época e melhores lugares para observar | DIA 1

Todos os anos, uma região encantadora do litoral catarinense recebe um grupo de visitantes pra lá de especial. Elas chegam em peso, procurando por águas rasas e calmas, levando consigo seu maior tesouro. As baleias já são figurinhas carimbadas em Imbituba, Laguna e Garopaba, entre os meses de julho e novembro. Esse ano, fomos convidados pela Secretaria de Turismo de Imbituba, para acompanhar de pertinho a chegada delas.

Litoral fora do verão

Sempre quisemos viver a experiência de aproveitar o litoral catarinense fora da temporada de veraneio, quando tradicionalmente todas as praias ficam cheias de turistas e os comércios têm o auge do movimento. Queríamos conhecer mais, para poder contar para vocês, todas as maravilhas que esses lugares podem oferecer, fora da temporada.

Começamos a pesquisar e quando vimos, já tínhamos uma viagem marcada para Imbituba. Se você ainda não conhece o povo de Santa Catarina, deixa eu fazer uma breve descrição sobre eles: a.m.o.r. Simples assim. É um povo querido, que sabe recepcionar, que olha nos olhos e sorri. Um povo que não pensa duas vezes para te responder, que não mede esforços quando o assunto é fazer novos amigos. A Bruna, que cuidou de cada detalhe da nossa viagem, já mora de pantufinhas no nosso coração. Foi ela também, que nos apresentou a cada parceiro das cidades que passamos, que nos receberam e permitiram que essa viagem fosse tão incrível, recheada de detalhes como foi, para que vocês pudessem ter o máximo de informações sobre essa experiência.

Observar as baleias não foi uma tarefa fácil e acabou nem sendo o principal atrativo da viagem, como vocês verão ao longo desses três dias, mas com certeza, foi um ótimo motivo para nos levar até lá e nos permitir viver tudo que vivemos. Vem com a gente!

Nosso roteiro

A rota da baleia franca é composta pelos municípios de Laguna, Imbituba e Garopaba. Como os três são muito próximos, indicamos fortemente que conheça os três. Cada um tem sua característica e seu charme próprio.

O nosso roteiro ficou bem divido entre os três dias. Até por isso, vamos dividir esse artigo em três partes também, para facilitar a leitura. Separaremos por dia, detalhando bem o que fizemos em cada um.

DIA 1

Casa Açoriana – Imbituba

Saímos cedinho de Curitiba, pegamos a estrada, que estava com o movimento bem intenso, e cinco horas depois estávamos no nosso destino.

Nossa primeira parada foi na Casa Açoriana, em Imbituba mesmo. Assim que chegamos, encontramos uma casinha charmosa, muito bem cuidada, com bandeirinhas no teto e um tapete na janela. Conferimos o número. Era ali! Estacionamos o carro e descemos. Quem nos recebeu foi o Seu Batista, que foi logo nos contando sobre as raízes da cultura açoriana, tão presente nessa região.

Seu Batista, nos recebeu na casa Açoriana

Sant’Anna de Vila Nova foi berço da colonização de base açoriana em Imbituba. No bairro, o historiador Roni foi quem tirou o projeto da casa do papel, reunindo um grupo de amigos que acreditava no sonho e topou ajudar no aluguel da casa, tornando-os cooperados.

Conhecemos uma casa que tem muito mais que história. Tem vida. Vimos o brilho no olhar de cada pedacinho de história contada pelo Seu Batista, sentimos o amor pelas memórias e a vontade em mantê-las vivas. O orgulho nos tapetes feitos de renda de lingerie, o apetitoso cacho de banana pendurado sobre a mesa, pronto para ser usado na farofa do jantar, as delicadas peças feitas no tear, que funcionam todas as terças em oficinas organizadas pela casa. Tudo pensado e trazido com carinho, para que cada visitante sinta e leve consigo um pedacinho da cultura que eles tanto se orgulham.

bana para a farofa do jantar

tapete feito de renda de lingerie

vestido de noiva feito no tear

família vvmm com seu batista, da casa açoriana

Como é um projeto particular, as visitas ainda precisam ser agendadas, pois a casa não fica aberta todos os dias. Para agendar, você pode enviar uma mensagem para 48. 99669-4144.
A casa fica na Rua Santana, Vila Nova em Imbituba.

O insta deles é @casaacorianavilanova

Almoço no Pacífico – Itapirubá

Ainda em Imbituba, mas dividida com o município de Laguna, Itapirubá foi uma grande surpresa no nosso roteiro. Somos frequentadores assíduos dessa região de Santa Catarina, como muitos de nossos leitores já sabem. Mas mesmo frequentando há muitos anos, não conhecíamos a charmosa Itapirubá, que aliás, também é um ótimo lugar para observar as grandonas.

Então, não poderíamos ter conhecido de forma mais gostosa: viemos até o Restaurante Pacífico antes de partirmos para nossa próxima aventura. Pensando melhor, agora que já conhecemos, podemos dizer que nossa aventura começou bem aqui.

onde comer itaperubá

Assim que entramos, fomos recepcionados pela Chef Emily, com um abraço gostooooso e acolhedor. Ela logo chamou a Marisa, que também nos recebeu com um abraço gostoso e nos mostrou todo o restaurante, que foi adquirido por eles há pouco tempo. A Marisa é a mãe do Chef Ricardo, que é marido da Chef Emily. Sim, um restaurante familiar, recheado de técnicas e conhecimento, onde o tumpêro é o amor.

patisserie restaurante pacifico itaperuba

salao restaurante pacífico itaperuba

mesas cafe restaurante pacífico itaperuba

Chegamos no meio da preparação de um evento externo que eles teriam mais tarde, e em momento algum deixaram de nos atender. O Chef Ricardo se apresentou e disse que prepararia nossos pratos. Nessa hora, eu gelei. Sou um tanto quanto chata pra comida e tenho um paladar digamos, infantil. Verduras, legumes, carnes fortes, frutos do mar, fungos e outras coisinhas mais, não são bem o meu tipo de comida. “Ora, ora, Suelen! Você está numa praia! O que acha que virá no cardápio?” Pois bem, meu caro leitor, posso te assegurar que tudo que você verá aqui está muito, mas muito distante de qualquer cardápio tradicional litorâneo que passou pela sua cabeça. Pela minha também. A única coisa que ele sabia, era que eu não comia camarão, pois perguntou se tínhamos alergia. Eu disse que não, mas também disse que não comia.

Sentamos e papeamos, como se fôssemos velhos amigos. Falamos sobre a cidade, sobre a época das baleias, sobre como isso influencia o turismo na cidade, sobre como os comerciantes se uniram para manter vivo o movimento fora da temporada. Conversamos muito sobre como a cidade é repleta de atividades que fogem do tradicional banho de mar, que muitas vezes o turista não fica nem sabendo. E olhe que hoje com a internet, a informação está cada vez mais acessível, basta você ter interesse.

No meio de tanta conversa boa, chegou o nosso primeiro prato. Siiim! Ele já havia dito que seria mais de um. Um delicioso exagero. Quando olhei para o prato, outro gelo: peixe. Estava lindo, uma obra de arte. O peixe, em formato de baleia com seu filhote e ao lado, abobrinha ao bafo, com tartar de tomate. Sabe quando eu pediria um prato assim, por livre e espontânea vontade? NUNCA. Mas minha mãe me ensinou que a gente não deve recusar comida e eu dei a primeira garfada. E afinal de contas, estava todo mundo olhando, né? Naquele momento, não acreditei, mas eu estava amando os sabores e queria mais. Que delícia! O peixe estava macio e sem aquele gosto forte. O tartar estava com um tempero delicioso e fresquinho. Para os meninos, ele preparou o famoso espetinho de camarão e queijo a milanesa da casa, com um purê de abóbora. Estava lindo também.

peixe a milanesa restaurante pacífico itaperubá

espetinho de camarão e queijo a milanesa restaurante pacífico itapirubá

Enquanto esperávamos o segundo prato e contávamos espantados sobre como adorei a escolha do Chef Ricardo e como sou chata com comida, o cheirinho que vinha da cozinha já era delicioso e dava mais água na boca ainda. A comida era totalmente diferente de tudo que esperávamos e o conhecimento deles de gastronomia também. Comer peixe na praia é óbvio, mas não com aquela apresentação e com aqueles sabores, tão bem preparados.

O segundo prato chegou e veio ainda mais saboroso. Pra mim, um porco à milanesa, com uma crostinha divina, acompanhado de purê de abóbora. Para eles, camarão com milho, linguiça paio e batatas cozidas. O Andre ainda se esbaldou numa caipirinha de butiá, frutinha típica da região. Tão saboroso quanto o primeiro prato, mas ainda mais surpreendente. A combinação de sabores e texturas estava incrível.  

porco com crosta e purê de abóbora rerstaurante pacífico itapirubá

camarão com linguiça paio, milho e batatas restaurante pacífico itapirubá

Para fechar com chave de ouro, a Chef Emily trouxe as suas doces delícias da confeitaria pra gente saborear. Escolhemos três doces divinos, um mais saboroso e mais lindo que o outro. Escolhemos, na ordem das fotos: Uma patê a choux craquelin de amêndoas e hibisco, com chantilly de doce de leite, uma éclair de amêndoas recheada com creme de coco e chantilly de hibisco e um tarte de coco e chantilly de chocolate branco. Dos deuses!

patê a choux craquelin de amêndoas e hibisco

éclair de amêndoas recheada com creme de coco e chantilly de hibisco

tarte de coco e chantilly de chocolate branco

Então fica a nossa super dica: vai conhecer a região de Imbituba? Faça uma visita ao Pacífico e conheça a culinária dessa família que tem muita vontade de mostrar o seu tempero, a qualidade da sua comida, e certamente vai te receber de braços abertos.

Conversamos tanto e fomos tão bem recebidos que esquecemos de tirar uma foto com eles. Mas a gente volta em breve para consertar essa falha. 

O Restaurante Pacífico fica na Praia de Itapirubá, na Avenida A-6, s/n. Tem estacionamento bem na frente e é fácil de chegar.

O insta deles é @restaurante_pacifico

Pesca com Botos – Laguna

Depois de um almoço maravilhoso, estava na hora de encontrar a Tati, a nossa guia do Sem Fronteiras Turismo, que nos levou para conhecer vários cantinhos de Laguna. Nos encontramos em frente a um hotel da cidade e fomos no nosso carro até o Molhes da Barra, onde conhecemos a maravilhosa pesca com botos.

Assim que chegamos, já vimos uma fila de pescadores parados no meio da Lagoa Santo Antônio, segurando as tarrafas (uma espécie de rede, com uns 3 metros de diâmetro) na mão, enquanto outros ficavam aguardando na faixa de areia. Até chegarmos aqui, não conhecíamos esse tipo de pesca.

pescadores em fila para pesca com botos

Nossa guia disse para ficarmos ali observando a dinâmica, que já entenderíamos. E foi lindo. Lado a lado, com roupas de borracha até a cintura, os pescadores se olhavam, faziam suas piadas e aguardavam. Só não sabíamos pelo que. Foi aí que vimos uns três botos saltarem da água e nesse momento os pescadores jogaram as suas tarrafas. Quando puxaram de volta, elas voltaram recheadas de tainhas.

tarrafas recheadas de tainhas

E agora vocês devem estar se perguntando: “Sim, mas e os botos? O que eles tem a ver com isso?”  Pois bem meu caro, os botos são os responsáveis por cercar o cardume de tainhas com movimentos circulares e os direcionar para perto dos pescadores. Quando o cardume está bem próximo, os botos saltam para fora da água, alertando os pescadores, que jogam suas tarrafas cobrindo o espaço entre eles e os botos. Os peixes que escapam da rede, vão direto para a barriguinha dos botos, que conseguem engolir o peixe com muito mais facilidade, já que as escamas estarão na direção correta – fugindo do pescador e entrando no estômago do boto – e não vão machucar ao serem engolidos. Um belo de um trabalho em equipe, não é mesmo? Nesse pedacinho de vídeo que fizemos, vocês conseguem ver a alegria e o entusiamo dos pescadores quando os botos dão o tão esperado sinal:

É incrível ficar ali observando como tudo funciona em perfeita harmonia, sem nenhum esforço e sem nenhuma força. Os botos são treinados única e exclusivamente pelos seus pais. Conversando com a Tati e com os pescadores, descobrimos que quando a lagoa está vazia, quando os pescadores não aparecem, os botos também vão embora. Eles só ficam ali para cooperar, interagindo com os pescadores. São aproximadamente 50 botos que vivem na lagoa, mas apenas metade coopera com a pesca.

pescadores de laguna amigos dos botos

Você consegue observar a pesca com mais facilidade nos meses de maio a julho, por conta da época da tainha, que é o peixe mais consumido pela espécie de botos daquela região.

Molhes da Barra – Laguna

Atravessando a rua, fomos dar uma olhadinha na Praia da Barra, que estava com o mar bem agitado e recheada de surfistas. Vimos também um boto saltando as ondas junto com os surfistas. É maravilhoso ver como eles estão integrados no dia a dia do pessoal por aqui.

Molhes da Barra Laguna

A praia é bem extensa e com uma boa faixa de areia. Como estava frio, não vimos muitos banhistas.

Molhes da Barra Laguna Calçada

Molhes da Barra Laguna Gaivotas

Morro da Glória – Laguna

Pegamos o nosso carro novamente e lá fomos nós com a Tati para mais um ponto turístico de Laguna. Como nosso tempo por Laguna estava bem curtinho dessa vez, ela fez um intensivão com a gente. Em meio dia, conhecemos vários lugares lindos da cidade.

Andamos aproximadamente uns 15 minutos de carro e chegamos no Mirante do Morro da Glória, o ponto mais alto de Laguna, onde conseguimos ter uma visão geral da cidade. Assim que chegamos, já lá no alto do morro, estacionamos o carro perto de um mirante de madeira, com placas de “propriedade privada” e ficamos meio receosos, mas logo a Tati nos explicou que essa estrutura foi uma tentativa de privatização de um senhor que construiu o mirante e tentou cobrar entrada dos visitantes. A estrutura ficou realmente muito bonita, mas obviamente não vingou. Logo os guias e os visitantes reclamaram e ele teve que liberar a entrada.

mirante morro da glória laguna

vista do mirante morro da glória

Deixamos o carro estacionado ali, aproveitamos a vista do mirante e depois seguimos a pé por mais alguns metros na direção oposta, subindo mais alguns metros e então chegamos no ponto mais alto do morro. Para chegar nesse ponto, você também pode seguir de carro passando pelo mirante e estacionar no segundo estacionamento, que fica mais próximo ao ponto mais alto do morro.

ponto mais alto do morro da glória

vista do ponto mais alto do morro da gloria

A visita não tem custo nenhum e você pode admirar toda a beleza de Laguna lá do alto do morro da Glória, junto com a Nossa Senhora da Glória, que está lá desde 1953, zelando pela cidade.

Nossa Senhora da Glória

Morro Nossa Senhora da Glória

De um lado do morro, você vê parte antiga de Laguna, onde a cidade nasceu. Já do outro lado você tem a vista da área mais nova da cidade. A imagem de Nossa Senhora está voltada para o lado mais antigo.

Fonte da Carioca e Casa Pinto D’Ulysséa – Laguna

Depois de uma bela caminhada no Morro da Glória, pegamos o carro novamente e em menos de 3 minutos já estávamos na nossa próxima parada. Fomos conhecer a Fonte Carioca e a Casa Pinto D’ulysséa. Estacionamos bem em frente e conseguimos visitar os dois pontos, pois são lado a lado.

A Fonte da Carioca existe desde 1863, quando foi construída pelos escravos da região. A nascente é no alto do Morro da Glória, e é super protegida. Os seus tanques são revestidos de mármore carrara, dizem que por isso a água é tão fresquinha e saborosa. Toda a população de Laguna se beneficia da fonte, além dos vários e vários turistas que passam pela cidade ao longo do ano. Enquanto estávamos por ali saboreando a água e seguindo cuidadosamente o ritual que a Tati no ensinou: “beber a água da fonte e jogar sobre os ombros é certeza que voltarão para a cidade”, vimos muitos moradores chegarem com o carro carregado de garrafas para garantir a água fresquinha da semana.

Fonte da Carioca Laguna

Torneiras da Fonte da Carioca em Laguna

A Tati nos contou que a água da fonte passa por constantes análises e que é super seguro consumir dali. São mais ou menos 2 milhões de litros de água potável produzidos por mês.

Bem ao lado da fonte, você encontra a Casa Pinto D’ulysséa, uma casa branca de janelas azuis e azulejos pintados a mão, exatamente como as casas de uma cidade portuguesa do século XVIII. A casa pertenceu ao violonista Joaquim Pinto de Ulysséa, que chegou em Laguna em 1846 e logo se tornou influente na cidade por saber ler e escrever. Se casou com Alexandrina Dias de Pinto, filha de João Pinho, que já era morador de Laguna. A casa foi um presente da família ao novo casal. Foi também, imagine só, a primeira casa com água encanada de Laguna.

Fachada Casa Pinto D'ulysséa Laguna

Azulejos Casa Pinto D'ulysséa Laguna

entrada Casa Pinto D'ulysséa Laguna

Hoje a casa abriga alguns departamentos municipais e está aberta para visitas de segunda a sexta, das 9h as 19h e sábados e domingos das 9h as 17h e não tem custo. Não deixe de visitar o jardim nos fundos da casa,onde conforme conta a história, Anita e Giuseppe Garibaldi namoravam.

No dia que visitamos, estava passando por uma revitalização, mas já aparentava ser muito bonito.

interior Casa Pinto D'ulysséa Laguna

Jardim Casa Pinto D'ulysséa Laguna

Ambos ficam na Avenida Professora Júlia Nascimento, 1-23, no Centro de Laguna.

Centro Histórico – Laguna

De carro, andamos mais alguns metros e estacionamos bem em frente ao Museu de Anita Garibaldi, no centrinho histórico de Laguna. Infelizmente já chegamos quando o Museu estava fechando. Conhecemos ele por dentro em uma outra visita que fizemos anos atrás, com o pai do Andre, que adora contar a história da família, que começou exatamente em Laguna, quando chegaram de navio, vindos da Itália. O museu é bem bacana e conta toda a história da Guerra dos Farrapos e a República Juliana. Além claro, de objetos que pertenceram a Anita Garibaldi. O museu recebeu o nome da heroína por ter sido inaugurado em 1956, data do centenário da morte de Anita.

Museu Anita Garibaldi Laguna

estátua de Anita Garibaldi

O prédio foi construído em 1747 e é um dos mais antigos de Laguna. Já foi sede do senado da câmara em 1839, mesmo ano em que a República Juliana foi proclamada na sacada do prédio, por David Canabarro. Depois, em 1895, virou uma cadeia pública. Já em 1920 o prédio foi modificado e passou a servir de garagem para a prefeitura da cidade. Só em 1956 que foi inaugurado como museu, com um vasto acervo histórico.

Como disse, a família do Andre, quando veio da Itália, atracou em Laguna e começou a desenhar a nova história da família por lá. Enquanto estávamos conversando com a Tati na pracinha, ouvindo as histórias sobre a cultura local, o Andre olhava fixamente para uma das casinhas da praça. Perguntamos o que estava acontecendo e ele disse: “Meus bisos moravam naquela casa ali”. A Tati, meio sem acreditar – confesso que eu também, pois se estamos juntos há mais de 20 anos e nesse tempo todo ele não veio mais aqui para visitar algum parente, chego a conclusão que a memória dele é excelente – fez algumas perguntas e acabamos confirmando com uma mensagem para o pai do Andre, com uma foto da casa. Era ali mesmo. Ele lembrava de detalhes das visitas que fez à casa dos bisos, junto com os pais, quando era pequerrucho. Que memória!

casa dos bisos do Andre em Laguna

ruas do centro histórico de Laguna

Agora a pé, fomos andando pelas ruas da cidade, aproveitando o comecinho do pôr do sol e a tranquilidade das ruas, para conhecer um pouco mais sobre a cultura local. A Tati é daquelas que conta as histórias com brilho nos olhos e faz a gente querer saber mais e mais. Ela foi nos contando que cerca de 600 casas da cidade são tombadas pelo patrimônio histórico. A maioria delas carregadas de decorações de época, vidros desenhados e ferros importados. São construções lindas e muito conservadas. O prédio do antigo banco central, foi o que achei mais bonito. As janelas são todas em ferro, com as iniciais do banco.

Primeiro banco de Laguna

Quando fomos, a casa de Anita Garibaldi estava fechada para reforma, mas sei que a reinauguração foi esses dias (finalzinho de agosto). Essa não chegamos a conhecer.

Caminhamos até a Praça Vidal Ramos, palco de muitos romances, inclusive de Anita e Giusepe, mas não aqueles famosos, que você conhece das histórias que aprendemos nas escolas. Esses conhecemos ali e são velhos conhecidos dos moradores da cidade. Os dois cãezinhos que já fazem parte da cidade, correram felizes quando viram que era a Tati se aproximando. Foram nossos companheiros pelo resto do passeio.

Praça Vidal Ramos Laguna

Anita e Giusepe, os cãopanheiros de Laguna

Visitamos também a Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, o famoso santo casamenteiro. Ela é pequena, mas muito bem cuidada.

greja Matriz Santo Antônio dos Anjos

interior da greja Matriz Santo Antônio dos Anjos

Fomos caminhando até o cais, onde da beira da lagoa, admiramos o pôr do sol, que iluminava o letreiro da cidade, com seus tons de laranja. ♥ Estava muito bonito. Todos que passavam por ali, mesmo que fossem moradores, paravam para registrar, de tão lindo que estava.

cais de Laguna

letreiro no cais de Laguna

Quase em frente ao letreiro, conhecemos o Cine Teatro Mussi. Ficamos encantados com a estrutura tão conservada, quase como na época que foi inaugurado, lá em 1950. A Tati nos contou que a casa de máquinas, no segundo andar, ainda guarda os projetores intactos. Adoramos conhecer mais esse pedacinho da história de Laguna.

Cine Teatro Mussi

interiior do Cine Teatro Mussi

A visita ao teatro fechou com chave de ouro nosso tour pela cidade. A companhia da Tati, nossa guia em Laguna, pela Sem Fronteira Turismo, fez toda a diferença, pois ela nos contou detalhes incríveis sobre a cidade, que passeando sozinhos, não saberíamos.

Tati do Sem Fronteiras e família VVMM

O instagram deles é @semfronteiraturismo

Cervejaria Urutau – Imbituba

Nada melhor do que uma cervejinha artesanal gelada depois de um dia repleto de atividades, certo? A convite da Cervejaria Urutau, fomos conhecer a produção das delícias que eles inventam por lá.

Mas já adianto, nossa experiência foi muito mais do que só beber cerveja. Lá conhecemos as instalações, conversamos com o mestre cervejeiro, entendemos mais sobre os estilos de cerveja e aprendemos muita coisa.

Assim que chegamos, fomos recepcionados pelo Chico e sua esposa, os proprietários da Urutau. O cantinho deles é uma graça, todo pensado para receber bem, sem frescuras, mas com muito carinho.

Começamos a visita pela fábrica, onde o Chico nos mostrou detalhadamente e com alegria no que faz, cada processo e como cada tipo de cerveja ia ficando pronto. Curiosos, fizemos diversas perguntas e ele nos respondeu todas, com a maior paciência.

interior da fábrica de cerveja Urutau

Chico nos explicando sobre a produção das cervejas

Depois da fábrica, foi a vez de conhecermos o charmoso e acolhedor barzinho, com torneiras de chope e lojinha da fábrica. Eles entregam para todo o Brasil também, fica a dica. A convite deles, o Andre provou – sim, eu estava tomando remédio que não podia misturar com álcool L  e o João é menor de idade – várias cervejas da marca, mas se apaixonou pela de bacon. Ficou impressionado com a mistura e em como ficou saboroso. E eu salivava loucamente.

Bar da fábrica Urutau

Cantinho gostoso do Bar da fábrica Urutau

Painel de torneiras com vários tipos de cerveja

Uma boa conversa de horas, regada por boa cerveja e um amendoinzinho, nem vimos a hora passar.  Ficamos papeando tanto, que parecia que nos conhecíamos há anos. Eles realmente sabem receber e preparar uma bela de uma cerveja!

Cerveja Urutau geladinha

Cada visita a uma cervejaria é única, já que cada cervejaria é diferente, mas na Urutau, garantimos que você terá uma experiência muito especial. Agende sua visita com o Chico.

Eles estão no instagram: @cervejariaurutau

Hospedagem no Rosa – Imbituba

Chegamos tarde, pois engatamos um bom bate papo lá na Urutau e esquecemos do checkin no hotel. Já estávamos achando que nem íamos mais conseguir entrar. Quando estacionamos o carro e entramos na recepção da Pousada Fazenda Verde do Rosa, fomos muito bem recebidos e fizemos nosso check in sem nenhum problema.

Assim que terminamos, nos guiaram até a nossa cabana. Quando chegamos, descobrimos que ficaríamos hospedados num paraíso em frente ao mar do Rosa. Nossa cabana era no segundo andar, com uma varanda deliciosa, com uma maravilhosa jacuzzi. Dali, escutávamos o barulhinho do mar. Assim que entramos, vimos o bom gosto da decoração e o aconchego dos quartos. Tudo muito bonito. Os banheiros eram espaçosos e muito limpos.

Nosso quarto Fazenda Verde do Rosa

Banheiro suíte Fazenda Verde do Rosa

Cozinha Fazenda Verde do Rosa

Segundo quarto Fazenda Verde do Rosa

Sacada com jacuzzi Fazenda Verde do Rosa

 

Ficamos na Cabana Bem Estar, com dois quartos e ambos eram suíte. Entre os quartos, uma cozinha equipada e uma pequena sala. Nos atendeu perfeitamente. Você pode reservar essa e outras cabanas clicando aqui.

O instagram deles é @fazendadorosa

Nesse dia, chegamos bem cansados das atividades do dia e como o papo estava bom, chegamos tarde. Nesse horário, já estava tudo fechado na cidade, não conseguimos jantar. O restaurante do hotel nos salvou. Pedimos um prato do cardápio deles e jantamos por ali mesmo. Confesso que não foi barato, mas estava bem gostoso e naquele momento, era tudo que queríamos, para poder descansar e aproveitar o dia seguinte, que partiríamos para o safári, em busca das baleias.

Já estávamos ansiosos para ver as grandonas, agora precisávamos descansar. Esperamos vocês para acompanhar nosso safári com o pessoal da Ao Sul Natural amanhã, depois de um café da manhã reforçado na Fazenda do Rosa. Vem com a gente?

2 Comments

  1. Bom dia, também conheci Imbituba este ano fiquei encantado. Me hospedei na casa do amigo Dias (Batista) que me proporcionou um tur pela cidade, começando pela casa açoriana que é a marca cultural de Imbituba. Fiquei fascinado pelas belas praias e pela culinária uma apetitosa costela na brasa e uma deliciosa moqueca de garoupa.
    Já estou planejando minha ida ano que vem…

    1. Que bacana, Clóvis! Seu Batista é uma atração a parte, com suas estórias, não é mesmo? Imbituba é fascinante e deixa saudade. Estamos como você, querendo voltar e conhecer tudo que não deu tempo. Logo mais entra o segundo dia, com mais aventuras dessa região. Esperamos você por aqui. Um abraço!

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