Para o fim do mundo! Ushuaia, aí vamos nós.

Durante o jantar me toco que o fim do ano está chegando. Olho pro Andre e lanço aquela pergunta direta: “Pra onde vamos esse ano?” Nunca imaginei que a resposta estaria tão fácil, na ponta da língua: “Pro fim do mundo!”. Cho-ca-da com a rapidez, pergunto se ele está falando sério, se referindo ao Ushuaia, ou se está tirando com a minha cara, com aquele tom de sarcasmo habitual.

Agora estamos aqui, faltando exatamente um mês para a viagem, malucos por tanto planejamento que uma viagem de carro até o fim do mundo exige. Sim! Somos desses que planejam a própria viagem. Pesquisamos tudo sozinhos, reservamos e vamos!

Entre indas e vindas, nosso peugeotzinho vai percorrer 10.917 km.

Sairemos de Curitiba, no dia 22 de dezembro rumo ao Ushuaia. Serão 16 dias recheados de muita estrada, aventuras e paisagens de tirar o fôlego.

No primeiro dia, já vamos de cara com 1.134 km até Paso de los Libres, na Argentina. Até pensamos em ficar na cidade vizinha e ainda brazuca, Uruguaiana, mas a hospedagem era mais cara e queríamos tocar uns km a mais.

Dormiremos em Paso de los Libres e sairemos cedinho para mais 672 km até Buenos Aires. Já conhecemos a capital Argentina, mas não passamos pelo tão famoso El Caminito e nem conseguimos ver os movimentos da Floralis. Teremos pouco tempo, mas está nos planos.

A noite de Natal passaremos em um hotel bem bacana em Sierra de la Ventana, que fica a 581 km de Buenos Aires e que descobrimos ser um dos locais de descanso dos hermanos. No dia seguinte andamos mais 672 km até chegarmos em Trelew. Pelo que vimos dando um Google, nosso filho, com 16 anos e fanático por história, vai ficar um tanto chateado por não conseguirmos parar no museu paleontológico, repleto de fósseis de dinossauros. O tempo é curto e temos mais 1.152 km até Rio Gallegos, nossa próxima parada.

Seis dias na estrada e estamos quase chegando no fim do mundo. De Rio Gallegos ao Ushuaia são 579 km. Saindo as 08h da manhã, chegaremos lá perto das 18h. Muito tempo para apenas 579 km. A estrada deve ser daquelas complicadas.

Parece estranho, mas ficaremos pouco tempo em Ushuaia. Dormiremos por lá e teremos a manhã do dia seguinte para conhecer um pouquinho da cidade, quando teremos que voltar para Rio Gallegos, apenas para dormir.

No dia seguinte, partimos bem cedinho para El Chalten, onde passaremos algumas horas apreciando a beleza dos lagos com degelo de águas azuis e a perfeição dos picos Fitzroy e Cerro Torre, os mais difíceis do planeta para escalar. Por aqui ainda não sabemos se conseguiremos aproveitar um longo percurso de caminhada ou se ficaremos apenas nos arredores. Veremos.

Neste mesmo dia, partimos para a cidade de El Calafate para dormir uma bela noite de sono, sabendo que teremos um mini trekking pelo Glaciar Perito Moreno logo pela manhã. A geleira é imensa e magnífica! Se estende desde o campo de gelo Patagônico Sul, na fronteira entre Argentina e Chile, até o braço sul do lago Argentino, possuindo cinco quilômetros de largura e 60 metros de altura. Neve! Queremos neve! Acompanhamos todos os dias as temperaturas por lá e só o que conseguimos pensar é: tomara que neve! Sabemos que no verão é pouquíssimo provável que isso aconteça, mas brasileiro não desiste nunca, né non?

Depois de fortalecer as pernas no mini trekking, partimos para mais 722 km até chegar em Los Antiguos. Um deslumbre da natureza, uma cidade encantadora. A estrada até aqui é de cair o queixo. Por aqui dormimos e daqui partimos bem cedinho para Bariloche, rodando por mais 857 km. Curtir a cidade terá que ficar para uma outra visita, agora vamos aproveitar a noite em Bariloche, trocando infinitas mensagens de Feliz Ano Novo com a família, que já deve estar de cabelo em pé com tantos km rodados. Descobriremos por lá como será a virada. Vamos seguindo o baile. Mas não até muito tarde, pois teremos que descansar, no dia seguinte teremos mais 1.170 km até Santiago do Chile.

Em Santiago poderemos passear um pouco e imaginar como seria repleto de neve, já que as temperaturas por lá estão beirando os 30 graus. Pelas fotos que vimos, não perde para o inverno, só passa a ser uma nova beleza.

De Santiago do Chile à Mendoza, na Argentina, serão míseros 363 km, que faremos com calma e mais no finzinho do dia, parando apenas para dormir. Nesse trajeto vamos conhecer uma das estradas mais perigosas (mas também uma das mais lindas) do mundo, a Los Caracoles, que cruza a Cordilheira dos Andes.

Já de Mendoza a Córdoba (ou Córdova, já vimos escrito das duas formas) serão 683 km, então ficaremos por lá pela manhã, partindo logo após o almoço. Assim também faremos em Federación, depois de percorrer 695 km. Federacion será a nossa última parada em solo argentino. Pelo que vimos, a cidade é repleta de spas e resorts com águas termais.

De Federacion até Erechim, no Rio Grande do Sul, serão 877 km. Acho que a essa altura, ficaremos tristes por ver que o fim da viagem está chegando, mas felizes por estar quase chegando em casa. Afinal, com mais 466 km chegaremos em Curitiba.

Estamos com todas as reservas feitas. Ficamos com receio de seguir sem reservar, os preços estão subindo a cada dia e as oportunidades estão diminuindo no mesmo ritmo. Durante a viagem vou postando junto com as aventuras do dia, como foi a hospedagem onde dormimos e por onde comemos. Espero ter boas dicas por lá, mas já deixei linkado no meio do texto todos os hotéis que já estão reservados, vale a espiadinha.

Corremos para conseguir toda a documentação necessária para a Argentina e para o Chile e ainda não temos todas. As PID´s (permissão internacionais para dirigir) fizemos pelo site do Detran e custou R$ 96,00 cada. Eu e o Andre tiramos, para poder revezar o volante.

Precisamos emitir a tal carta verde, que é o seguro obrigatório para veículos que ingressam em países do Mercosul, tivemos que pagar R$ 158,00 e fizemos com a Mercoseg, de Pelotas/RS. O atendimento deles foi excelente e conseguiram fazer no prazo que precisávamos. Ah, você terá que imprimi-la em uma folha verde, ok?

carta verde

 

Já o seguro SOAPEX, que é valido no Chile – a carta verde não vale lá! – fiz no site da HDI chilena e custou U$ 10,26. Depende do tempo de permanência, mas a variação entre 10 e 15 dias é só de alguns cents de dólar.

 

seguro soapex

Agora vem a parte mais problemática. Na verdade, diria que a única. A tal carta de autorização para saída do país, que todo carro financiado (ou em nome de terceiros que não estejam viajando junto) deve ter, para que possa sair do país. Quem emite é o banco que financiou o carro (Sim! Para CDC também precisa). No nosso caso, Santander. Já estamos no sexto protocolo e nada de conseguirmos a tal carta. Todas as vezes informam que a documentação não chegou por e-mail. Detalhe: recebemos confirmação de leitura todas as vezes. Agora no sétimo protocolo, dessa vez em forma de reclamação, com direito a textão no Reclame Aqui e nas redes sociais do banco, temos mais 2 dias de espera para que resolvam dentro do prazo que pediram. Estamos na torcida.

Além da documentação, alguns itens de segurança são exigidos nos países vizinhos.
Na Argentina, além do nosso famoso triângulo, que lá exigem 2 unidades, temos que providenciar um kit de primeiros socorros (luva, tesourinha, esparadrapo, atadura e um antisséptico) e um cambão. Ahhh esse cambão! Lá na terrinha dos hermanos, custa em média R$ 20,00. Em terras tupiniquins, adivinhem? CENTO E NOVENTA REAIS. Pasmem! Como ainda existem pessoas boas nesse mundão, conseguimos ele emprestado depois de um post no facebook, perguntando se alguém tinha para vender. Um item que não é obrigatório, mas que lemos em muitos blogs de viagem que é interessante levar por que os guardas argentinos podem resolver pedir, á a tal mortalha, que nada mais é que um lençol branco (não preciso explicar essa parte, né?). No chile, além desses itens, precisamos de um colete refletivo.

Ouvimos muitas histórias de policiais corruptos pela Argentina. Estamos com muito receio de tudo que pode vir a acontecer pelas estradas. Mas isso, só saberemos indo e vivendo.

Sabemos que será uma viagem longa e cansativa, mas sem dúvida nenhuma, será inesquecível.

Estarei por aqui antes, durante e depois da viagem. Pretendo – sim, pretendo, porque a internet por lá tem fama de ser bem precária – escrever todos os dias com dicas e imagens que façam vocês suspirarem.

Vem! Vem ver o meu mundo.

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